A Dignidade de Servir

Servir, ajudar, ser gentil e delicado sem esperar nada em troca é algo que deveria ser parte integrante de nós.

Open door

“A humanidade precisa de mais pessoas para abrir portas porque há gente demais puxando tapetes.”

Quando meu amigo Juliano desembarcou no aeroporto internacional da Cidade do México, onde passaria um tempo na filial da empresa em que trabalhava, sabia que tinha muito o que aprender sobre os costumes locais. Juliano era experiente, já havia morado na Itália e nos Estados Unidos, mas estava especialmente excitado com os mexicanos, que têm fama de hospitaleiros. Só não esperava a variedade de emoções que experimentou na terra dos mariachis.

Ainda no aeroporto começaram os aprendizados. Quando foi ajudado por um funcionário com suas bagagens, agradeceu a gentileza. “Gracias” – disse. E ouviu como resposta: “Para servirle a usted, señor”. “Para servi-lo”, em vez de “de nada” ou, como dizem os americanos, “você é bem-vindo” ou “sem problema”.

“Faz sentido, trata-se de um funcionário” – pensou, “está aqui para servir aos que chegam a seu país”. Entretanto, à medida que os dias passavam, ele se deu conta de que era assim que qualquer pessoa respondia a uma manifestação de agradecimento. “Para servirle” é o “de nada” dos mexicanos. Entre tantos, este foi um dos traços culturais que mais encantaram meu amigo naquele país – a disponibilidade para servir ao semelhante. E não se tratava de uma postura serviçal, e sim de um posicionamento ético. Afinal, é para isso que todos existimos, para coexistir, o que inclui servir.

Somos extremamente frágeis perante a natureza. Só nos tornamos fortes em conjunto, por meio da colaboração, da ajuda mútua, da complementaridade das competências, da soma dos saberes e, claro, da disposição para servir ao outro. Mais do que um atributo cultural, o servir é um determinismo genético, que pode, claro, ser incorporado e ampliado ou negado e diminuído, a depender da educação e do caráter de cada um.

O servir no trabalho

Há uma visão clássica da economia que a divide em três setores: o primário, responsável pela produção de bens naturais; o secundário, que é quem faz as transformações industriais; e o terciário, que entrega os produtos aos consumidores. Resumindo, falamos em agropecuária, indústria e serviços. O primeiro depende de terra, o segundo de máquinas e o terceiro de gente. Essa divisão não está errada, mas é simplista. A começar pelo fato de que todos os setores dependem das pessoas. Tudo o que existe foi feito por alguém para alguém.

Além disso, na busca de conquistar o cliente, as empresas tratam de entender o consumidor, seus hábitos, necessidades e desejos para servi-lo bem e assim obter sua fidelização.

Saber servir virou vantagem competitiva para todos os setores, imagine então o que significa para o setor chamado “do serviço”, como o comércio, gastronomia, educação, saúde e transporte. Para esses, não é vantagem competitiva, é função vital.

Empresas dispostas a servir, independente do setor a que pertençam, demonstram isso em sua cultura e no comportamento de seus funcionários. Aliás, as pessoas também são assim. Quem tem sempre presente a disposição para servir aos demais, sendo útil a seus amigos, familiares, estranhos, funcionários, chefes ou clientes, costuma apresentar algumas qualidades de personalidade que lhe são naturais ou que foram desenvolvidas durante sua educação.

O ato de servir aos outros a qualquer momento em que isso seja necessário pertence ao campo do comportamento, e não só da competência. Notamos com clareza as pessoas disponíveis e generosas. Elas são mais visíveis que as demais porque irradiam uma espécie de luz que as distingue e as enaltece.

Há profissões cuja especialidade é servir, como os garçons, vendedores, e há aquelas cujas competências são outras, como calcular, operar máquinas. Entretanto, em todos encontramos a disposição para servir. Para os primeiros, seria uma obrigação, o que não garante que todos a tenham, nem que os segundos não possam tê-la. Quem nunca foi atendido por um garçom mal-humorado?

Felizmente existe a contrapartida. Quase todos nos lembramos de alguém a quem pedimos uma informação e que só faltou nos levar até o local. São pessoas assim que nos fazem acreditar na humanidade em tempos de tanta violência moral. E esses são os que têm, como consequência natural, mais sucesso em suas carreiras.

O servir na vida

Vejo que há dois tipos de pessoas com disposição para servir aos outros: os serviçais, que servem por profissão, e os humanistas, por convicção. E quem serve por profissão e por convicção pode ser chamado de líder, independente de estar ou não ocupando uma posição de comando. Acontece que quem age assim está liderando uma mudança, a começar pela postura de quem está sendo servido, e, a seguir, pelo mundo, que está ficando melhor por sua causa.

Recentemente tive uma reunião com o presidente de uma grande empresa. Após me identificar, fui conduzido até uma sala de reuniões. Depois de alguns minutos, chega o presidente, um homem alto, com semblante sereno, de ascendência oriental. Em seguida aos cumprimentos de praxe, a pergunta também de praxe: “Toma um café?”, perguntou ele. “Sim, claro” – aceitei, esperando que ele, na sequência, ligasse para a secretaria transferindo o pedido. Para minha surpresa, ele saiu da sala e voltou com uma pequena xícara em suas mãos, dizendo algo como “espero que esteja bom”. O ceo me serviu o café! Imagine como transcorreu a reunião.

Você pode estar pensando que não há nada de mais nesse ato, mas posso garantir que ele, definitivamente, não é comum. O normal seria que o café fosse servido por uma copeira. Com o tempo fui percebendo que, naquela empresa, a simplicidade, a leveza das relações e o ato de servir faziam parte da cultura, e seu presidente, claro, tinha de dar o exemplo. E foi o que ele fez, sem afetação nem artificialidade. Para ele, servir era natural.

A essência de servir

E assim são tantas pessoas, felizmente. A todo instante, temos a chance de servir a alguém, facilitando sua vida e engrandecendo a nossa. Servir é, ou deveria ser, a essência do ser humano. Quem não cultiva o hábito não o faz por um entre três motivos: desatenção, desinteresse ou prepotência.

Os desatentos são os que conservam seus olhos em seus próprios umbigos. Não o fazem por mal, apenas não estão atentos ao seu entorno. É aquela pessoa que entra no elevador e solta a porta sem se dar conta de que você está chegando. Ele poderia segurar a porta por um instante e evitar que você tivesse de esperar o elevador voltar. Mas ele não se deu conta…

Os desinteressados talvez se deem conta, mas não têm o menor interesse em colaborar, a não ser que vejam alguma vantagem nisso. Trata-se de uma atitude egoísta. Seu slogan poderia ser: “O que eu ganho com isso?”. Aquele jovem que oferece carona à colega só porque está interessado nela, ou o funcionário que se oferece para ajudar o chefe, mas não o colega, afinal, esse não pode promovê-lo.

E há ainda os prepotentes, aqueles que têm convicção de que são superiores aos demais e que nunca precisarão de ninguém. Você conhece o tipo. Ele tem certeza de que nasceu para ser servido e não para servir. “Que audácia, veja só!”, respondem quando alguém lhe pede para colaborar.

Mas eles não são a maioria. Ainda vejo, em minha cidade, nas ruas, no trabalho, uma legião de pessoas dignas do nome. Não são serviçais nem subservientes, são os membros ativos da sociedade, aqueles responsáveis por podermos chamar a humanidade de civilização. O que nos torna verdadeiramente humanos não é a anatomo-fisiologia, e sim a sociobiologia.

O ato de servir não tem relação com profissão, função, classe social, sexo ou idade. Tem a ver com disposição, qualidade moral, elevação espiritual. Não há nada de subserviência em servir. Servir engrandece.

Fonte: Revista Vida Simples. 138 ed., São Paulo: Abril,  2013.

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Atitudes que drenam energia

Atitudes que drenam energia

1 – Pensamentos obsessivos

Pensar gasta energia, e todos nós sabemos disso. Ficar remoendo um problema cansa mais do que um dia inteiro de trabalho físico. Quem não tem domínio sobre seus pensamentos – mal comum ao homem ocidental, torna-se escravo da mente e acaba gastando a energia que poderia ser convertida em atitudes concretas, além de alimentar ainda mais os conflitos. Não basta estar atento ao volume de pensamentos, é preciso prestar atenção à qualidade deles. Pensamentos positivos, éticos e elevados podem recarregar as energias, enquanto o pessimismo consome energia e atrai mais negatividade para nossas vidas.

2 – Sentimentos tóxicos

Choques emocionais e raiva intensa também esgotam as energias, assim como ressentimentos e mágoas nutridos durante anos seguidos. Não é à toa que muitas pessoas ficam estagnadas e não são prósperas. Isso acontece quando a energia que alimenta o prazer, o sucesso e a felicidade é gasta na manutenção de sentimentos negativos. Medo e culpa também gastam energia, e a ansiedade descompassa a vida. Por outro lado, os sentimentos positivos, como a amizade, o amor, a confiança, o desprendimento, a solidariedade, a autoestima, a alegria e o bom-humor recarregam as energia e dão força para empreender nossos projetos e superar os obstáculos.

3 – Maus hábitos – Falta de cuidado com o corpo

Descanso, boa alimentação, hábitos saudáveis, exercícios físicos e o lazer são sempre colocados em segundo plano. A rotina corrida e a competitividade fazem com que haja negligência em relação a aspectos básicos para a manutenção da saúde energética.

4 – Fugir do presente

As energias são colocadas onde a atenção é focada. O homem tem a tendência de achar que no passado as coisas eram mais fáceis: “bons tempos aqueles!”, costumam dizer. Tanto os saudosistas, que se apegam às lembranças do passado, quanto aqueles que não conseguem esquecer os traumas, colocam suas energias no passado. Por outro lado, os sonhadores ou as pessoas que vivem esperando pelo futuro, depositando nele sua felicidade e realização, deixam pouca ou nenhuma energia no presente. E é apenas no presente que podemos construir nossas vidas.

5 – Falta de perdão

Perdoar significa soltar ressentimentos, mágoas e culpas. Libertar o que aconteceu e olhar para frente. Quanto mais perdoamos, menos bagagem interior carregamos, gastando menos energia ao alimentar as feridas do passado. Mais do que uma regra religiosa, o perdão é uma atitude inteligente daquele que busca viver bem e quer seus caminhos livres, abertos para a felicidade. Quem não sabe perdoar os outros e si mesmo, fica “energeticamente obeso”, carregando fardos passados.

6 – Mentira pessoal

Todos mentem ao longo da vida, mas para sustentar as mentiras muita energia é gasta. Somos educados para desempenhar papéis e não para sermos nós mesmos: a mocinha boazinha, o machão, a vítima, a mãe extremosa, o corajoso, o pai enérgico, o mártir e o intelectual. Quando somos nós mesmos, a vida flui e tudo acontece com pouquíssimo esforço.

7 – Viver a vida do outro

Ninguém vive só e, por meio dos relacionamentos interpessoais, evoluímos e nos realizamos, mas é preciso ter noção de limites e saber amadurecer também nossa individualidade. Esse equilíbrio nos resguarda energeticamente e nos recarrega. Quem cuida da vida do outro, sofrendo seus problemas e interferindo mais do que é recomendável, acaba não tendo energia para construir sua própria vida. O único prêmio, nesse caso, é a frustração.

8 – Bagunça e projetos inacabados

A bagunça afeta muito as pessoas, causando confusão mental e emocional. Um truque legal quando a vida anda confusa é arrumar a casa, os armários, gavetas, a bolsa e os documentos, além de fazer uma faxina no que está sujo. À medida em que ordenamos e limpamos os objetos, também colocamos em ordem nossa mente e coração. Pode não resolver o problema, mas dá alívio. Não terminar as tarefas é outro “escape” de energia. Todas as vezes que você vê, por exemplo, aquele trabalho que não concluiu, ele lhe “diz” inconscientemente: “você não me terminou! Você não me terminou!” Isso gasta uma energia tremenda. Ou você a termina ou livre-se dela e assuma que não vai concluir o trabalho. O importante é tomar uma atitude. O desenvolvimento do autoconhecimento, da disciplina e da terminação farão com que você não invista em projetos que não serão concluídos e que apenas consumirão seu tempo e energia.

9 – Afastamento da natureza

A natureza, nossa maior fonte de alimento energético, também nos limpa das energias estáticas e desarmoniosas. O homem moderno, que habita e trabalha em locais muitas vezes doentios e desequilibrados, vê-se privado dessa fonte maravilhosa de energia. A competitividade, o individualismo e o estresse das grandes cidades agravam esse quadro e favorecem o vampirismo energético, onde todos sugam e são sugados em suas energias vitais.

(Autor Desconhecido)

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