Mar Sem Fim – Amyr Klink

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Um homem precisa viajar por sua conta, não por meio de imagens, livros ou tv. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto.  Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sobre o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser; que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos e simplesmente ir ver.

Amyr Klink

Quebrando o tabu do autodidatismo

Para tornar-se um autodidata, você precisa aprender duas coisas: como estudar de modo eficiente e como garantir que você realmente aprenda

Informação, hoje é algo que existe de sobra, mas, ainda assim, as pessoas ainda não se sentem confortáveis ao falar de autodidatismo ou de se apresentarem como autodidatas. Existe certo estigma social com os autodidatas, as pessoas tratam autodidatismo como se essa fosse uma condição rara, que atribui apenas a alguns seres humanos o poder de “aprender as coisas sozinhos” – e isso é uma bobagem.

Tudo que você aprende é por conta própria, independente se você fez o melhor curso da cidade. Não importa a situação, é você quem estuda para alcançar seu objetivo, – a diferença é que quando você faz isso em cursos, a responsabilidade do resultado e do aprendizado são transferidas para terceiros, desse modo, você fica livre do resultado e das possíveis pressões.

É aí que aparece uma das primeiras vantagens do autodidata: ele assume a responsabilidade do aprendizado e tende a não se engajar em atividades que apenas sinalizam aprendizado – como, por exemplo, ir para a sala de aula e não prestar atenção no que está sendo dito. Porém, isso não quer dizer que o autodidata não possa fazer uso de professores e tutores para auxiliar na jornada. É completamente diferente você contratar um tutor para te auxiliar em certos pontos do assunto e contratar alguém para te ensinar tudo, passando toda a responsabilidade para ele.

Agora, para tornar-se um autodidata, você precisa aprender duas coisas: como estudar de modo eficiente e como garantir que você realmente aprenda. Uma das principais orientações a seguir é desenvolver hábitos e rotinas de sucesso.

Normalmente somos ruins em criar hábitos de modo consciente ou em acreditar que novos hábitos serão desenvolvidos apenas com base na “força de vontade”. É preciso mais do que isso. É preciso identificar sua rotina, afinal, ao ser exposto à mesma rotina várias vezes, nós aprendemos como realizar aquela atividade – e não precisamos mais prestar atenção consciente para aquilo, podemos “desligar” a atenção. Identifique o que você quer fazer assim como o melhor momento para fazer isso – pode ser logo após acordar, à noite, à tarde, etc., o importante é você se livrar das barreiras no momento de começar a executar a rotina.

Outra solução importante é ter um plano caso as coisas não saiam exatamente como o planejado. Já foi comprovado que planejar com antecedência as possíveis adversidades tem um efeito significativo no sucesso da formação de hábitos. Ou seja, se você quer ter sucesso formando hábitos, planeje sua falha.

Após criar hábitos de maneira eficiente, a melhor maneira de garantir que você consiga o que deseja é criando um passo a passo, afinal, é muito mais fácil desenvolver um sistema que você possa executar todo dia para tratar desses afazeres, algo que você faça sem nem precisar pensar a respeito. Assim como um programador de computador desenvolve um sistema para resolver seus problemas, você desenvolve um sistema para resolver certo conjunto de ações dependentes dos mesmos fatores.

Para o autodidatismo realmente funcionar também são necessárias atitudes usadas para qualquer estudo bem sucedido: um lugar isolado, tranquilo e bem ventilado, um bom material de apoio, expectativas reais e, é claro, concentração, dedicação e vontade de aprender.

Paulo Ribeiro é autor do livro “Os 7 Pilares do Aprendizado: Usando a Ciência Para Aprender Mais e Melhor”.

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