A Paradoxal Importância da Dor Emocional

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O conceito de dor fisiológica compreende uma sensação penosa e desagradável, produzida pelas terminações nervosas da pele, sensíveis a algum estímulo danoso.

A função da dor é alertar o indivíduo de que alguma parte de seu organismo está sofrendo lesão, está sendo danificada, sugerindo alguma reação de sua parte para resolver esse problema. Portanto, a dor é uma bênção para garantir a nossa integridade e saúde física. É como uma sirene com várias intensidades proporcionais ao nível da dor: em tese, quanto mais forte, maior o barulho e maior a reação.

A dor tem função paradoxal: seu mecanismo causa sofrimento com o objetivo maior de evitar mais danos irreversíveis; visa a autopreservação, o autocuidado.

Claro que estamos falando de um crescendo, de dores ainda suportáveis; desconsideremos dores desencadeadas por fatores extremos ou traumáticos. Nestes casos a dor extrema é óbvia e gera reação compulsória imediata (dor patológica).

A dor não existe somente na dimensão física, conforme exposto, mas também existe na dimensão emocional.

Uma dor emocional também é sentida de forma parecida: causa uma sensação desagradável e traz desconforto, sofrimento. Da mesma forma que a dor orgânica, tem como função alertar que algo não vai bem em alguma parte de nossa estrutura emocional, sugerindo alguma reação de nossa parte para investigar e buscar resolver o problema-ainda-oculto. Estamos falando de saúde emocional.

No entanto, geralmente não damos a atenção devida ao aspecto subjetivo da dor não-física, mas que é extremamente real. É possível constatar diariamente atitudes onde nem mesmo a concretude da saúde física recebe os devidos cuidados e atenção do sujeito que a negligencia… e geralmente negligencia a saúde física para compensar a suas próprias dores emocionais. É uma possibilidade.

Não conseguir lidar ou negar uma dor emocional pode fazer com que a pessoa busque alternativas não muito eficazes para “abafar sua sirene disparada”. Pode então buscar refúgio em substâncias ou atividades de risco que têm como efeito imediato o prazer – uma forma de aliviar, mas também de mascarar a dor. É paliativo e não resolve a médio e longo prazo o problema, inclusive podendo gerar e agravar outros problemas.

A natureza é sábia, nos dá pistas para que tenhamos consciência de que algo precisa ser revisto, olhado novamente. Se formos investigar mais a fundo, a dor (física ou emocional) é a ponta do iceberg, o último efeito de um problema que vem crescendo silenciosamente a algum tempo, e somente ao final gera o sintoma: a famosa dor. A consciência nasce do contraste. A dor gera contraste.

Dessa forma, é essencial darmos mais atenção às nossas percepções íntimas, pois sinalizam algo. Não é preciso ficar paranóico, mas apenas dar atenção a algum incômodo que frequentemente aparece. Pode sinalizar algo importante a ser investigado. Nem todo incômodo é algo negativo a ser combatido, pode indicar necessidades e mudanças.

A princípio, a investigação envolve refletir e buscar compreender a função que essa dor emocional desempenha em nossa vida: Que emoção desencadeou isso? Que pensamento desencadeou essa emoção? Por que surgiu? Qual é o papel deste desconforto causado pelas emoções? O que preciso aprender? O que essa emoção diz sobre a minha relação com o mundo? Juntar aos poucos as peças do quebra cabeça com alguns questionamentos pode ajudar. O objetivo é tentar compreender, e não causar mais conflitos e dores. Por isso, é preciso saber o momento de pedir ajuda a pessoas e profissionais de confiança.

Saúde emocional é um bem interno que não tem preço, não deve ser negligenciada, não deve ser anestesiada por certas substâncias ou hábitos específicos, nem ignorada por medo, mas acolhida, compreendida e amadurecida, pois somente pelo investimento do cuidado colhe-se os frutos: a exemplo da conquista de maior equilíbrio emocional, totalmente factível.

Sr. Evoluciente