Técnica da Visão Panorâmica Aplicada

Dimensionamento. Uma das técnicas mais práticas para auxiliar quem de fato deseja reciclar o seu ciclo existencial nesse planeta é analisar seriamente a teoria da pluralidade das vidas.

Objetivo. A ideia não é a de convencer o(a) leitor(a) ou evolutivo. Nosso objetivo é apenas o de informar.

Lógica. A compreensão da serialidade, longe da visão mística ou religiosa, nos traz a lógica da evolução e dá um sentido real a todos os nossos anseios e esforços. A convicção íntima de já ter vivido antes é um ato de inteligência perante os fatos da vida e da natureza. Justamente para evitar a acomodação, a preguiça e a negligência evolutiva:

Se eu tenho toda a eternidade para evoluir, para que correr?

Autocorrupção¹ grosseira.

 Fuga. A falsa impressão de que não haverá outra oportunidade leva a consciência a cair no desânimo. Diante das dores afetivas que paralisam a sua evolução, a depressão, a angústia, as fobias e até o suicídio surgem como rotas de fuga.

Evolução. Vivemos vidas críticas, pois o muito já se sabe (teoria) e pouco se aplica do conhecimento adquirido (prática). Além disso, as oportunidades evolutivas são singulares e se sucedem, mas jamais se repetem. Às vezes descobrimos que éramos felizes e não sabíamos. Para evitar tal constrangimento, a Técnica da Visão Panorâmica Aplicada pode ser uma ferramenta útil. Consiste em aplicar, em cada contexto da vida, a meta evolução como parâmetro maior sobre todo o tipo de dificuldade do dia a dia.

Perguntas. Esse enfoque permite ampliar a visão de conjunto, corrigindo o excesso de valor dado a mesquinharias: isso é apenas mais um passo rumo à minha liberdade evolutiva. Quantas vidas ainda vou esperar para abrir mão disso ou para corrigir esse erro? O que posso fazer hoje para otimizar minhas vidas futuras?

Responsabilidade. Com essa reflexão, tudo toma o seu real tamanho, perde a importância descabida, e caímos na real ganhando maior lucidez quanto ao que fazer. Passamos a priorizar o essencial, o que tem peso maior do ponto de vista evolutivo, em vez de esperar pela saturação dos erros repetidos. Com essa atitude, vamos adquirindo uma tranquilidade interior mais duradoura. Quando se trata de evolução, a consciência merece sempre o que há de melhor. Cabe a ela, e a mais ninguém, essa responsabilidade.

Planejamento. O planejamento cuidadoso de cada passo, envolvendo a abordagem de personalidades físicas ou extraísicas com vistas à reconciliação deverá ser feito com a máxima isenção. A autocrítica – análise fria – desapaixonada, impedirá as distorções da nossa onipresente autoorrupção (desculpa esfarrapada), mantenedora da incoerência evolutiva. Muitos bloqueios energéticos têm como origem a autocorrupção sistemática (Vieira, 2007b).

Antiemocionalidade. A partir do planejamento, pode-se alcançar uma previsibilidade relativa do próprio comportamento, adotando um cronograma, com metas e meios para alcançar os resultados definidos. Planejamento envolve reflexão, análise, avaliação, ponderação e decisões com a popular cabeça fria. A emoção faz a cabeça ferver a muitos graus. E a adrenalina, já se sabe, é péssima conselheira. O melhor é buscar no mentalsoma o motivo real para a mudança. E a primeira consulta pode ser feita conosco mesmo de modo sincero, sem depender da presença ou do aval de ninguém:

Quadro do Autodiagnóstico

1. Eu ainda vivo justificando minhas atitudes perante aquela pessoa?
2. Eu ainda acho que a “culpa” é dele ou dela?
3. Eu ainda quero que os outros tomem o meu partido contra ele ou ela?
4. Eu ainda acho que minha melhora depende dele ou dela: se ele(a) parar eu também paro. Se ele(a) mudar eu mudo depois?
5. Eu ainda ocupo o meu tempo mental com diálogos mudos imaginários ou comentários mentais negativos sobre alguém (ruminação mental obsessiva)?

Anistia. Se, de fato, chegarmos a conclusão de que a hostilidade constitui o foco da nossa doença, que a reconciliação é o caminho, que é necessário enfrentá-la, que constitui uma boa saída e que a iniciativa pode ser apenas nossa, estaremos aptos a prosseguir. Desculpar significa isentar de culpa, desculpabilizar. Quando isentamos o(a) culpado(a),  mesmo tendo sido ofendidos ou supostamente ofendidos, quem mais poderá culpá-lo(a)? Apenas ele(a) mesmo(a). O nome técnico para isso é indulto ou anistia (Vidal-Abarca, 1999).

Mapa. Outra ferramenta importante para a organização pessoal no processo de reconciliação é abrir um arquivo especial ou gráfico, destinado a acompanhar o desenvolvimento do caso em estudo, ao modo do exemplo básico:

Etapas. Eis 6 etapas clássicas otimizadoras da reconciliação:

  1. Decisão: reflexões sobre a necessidade de perdoar.
  2. Aceitação: responsabilidade relativa.
  3. Reconhecimento: cada um tem o direito de ser como é.
  4. Aplicação de técnicas: X, Y, Z, outras.
  5. Percepção dos benefícios: acompanhamento dos progressos.
  6. Avaliação técnica dos resultados alcançados.

Comentários:

1. Por que perdoar, o que perdoar?

Iniciativa. Refletindo com profundidade, acabamos descobrindo que nada temos a perdoar aos demais. Temos que perdoar primeiramente a nós mesmos por termos permitido que tal situação ocorresse. Com essa abordagem, sentimos cada vez mais a necessidade íntima, a vontade firme e a satisfação em buscar o perdão do outro. Isso é o mesmo que assumir a iniciativa pela reconciliação. Perdoar é um ato de amor a si mesmo (Laskow, 1997).

2. Por que me responsabilizar? Do que me responsabilizar?

Grupos. Por fim, aceitamos que no mundo há poucos (os mais maduros) assumindo responsabilidades cada vez maiores e o restante (os mais imaturos) culpando os demais. Toda ausência de atitude positiva, assertiva e proativa está onerando alguém. De qual grupo quero fazer parte?

3. Por que desistir de mudar os outros?

Autobiografia. Não podemos mudar a biografia de ninguém. Podemos, no máximo, aperfeiçoar a própria biografia, que sempre pode ser revisada e melhorada. Cada um tem o direito de ser como é, a começar por nós mesmos. Com o fim da ilusão de mudar o outro, a correspondente expectativa frustrada, na maior parte das vezes, desaparece (economia energética), aumentando a energia disponível para a ação.

Realidade. É o caso dos pais que se desesperam por não compreender o comportamento destrutivo do filho(a), apesar de todo o carinho e a boa educação oferecida. Se já é tão difícil mudar a si mesmo, imaginem tentar mudar o outro! Quando, por fim, aceitamos essa realidade, muitas vezes a melhora ocorre de modo espontâneo.

Expectativas. Às vezes, a situação é inversa: os filhos depositam expectativas exageradas nos pais, como se a eles coubesse a responsabilidade de tudo saber, de adivinhar o futuro, de preparar e defender os filhos de todos os contextos naturais da vida.

4. Para que usar técnicas?

Organização. É preciso combater a autodesorganização emocional. Sem organização mínima e a ajuda de técnicas, não sairemos do lugar. Logo, chegou a hora de aplicar o que aprendemos.

5. Para que servem os resultados?

Ganhos. A consciência sofre quando percebe que está indo do nada para lugar nenhum. Por isso é tão importante registrar os ganhos reais com a mudança de atitude mental: não nos contentamos mais com prêmios de consolação, com ganhos psicológicos secundários e efêmeros.

Valor. Com isso, mudamos o paradigma pessoal: se somos capazes de mudar para melhor, o que não é nada fácil, então, temos uma valor real (autovalor, autovalia, autovalorização). Dessa forma, podemos construir uma autoestima sadia, assumindo a responsabilidade pelo uso do livre-arbítrio em causa própria. Viramos o jogo, criamos o turning point, fazemos o momento da virada ou a reciclagem íntima.

_________________

¹Autocorrupção. Mecanismo de defesa consciente usado deliberadamente pela consciência como último recurso para negar ou para justificar o próprio comportamento quando já indefensável.

Trechos retirados do livro Autocura através da Reconciliação – 2009 (Málu Balona).

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