A Busca da Felicidade

“Se a nossa vida não tiver nenhum sentido além da nossa própria felicidade, é provável que, ao conseguirmos aquilo que julgamos necessário à nossa felicidade, constatemos que a felicidade em si continua a esquivar-se de nós”.

(Peter Singer)

 Desde a adolescência, vez por outra, fazia certos questionamentos. Afinal, qual a finalidade desta vida? Nascemos, aprendemos a sobreviver, crescemos, estudamos, trabalhamos, casamos, temos filhos e quando pensamos ter uma boa bagagem na vida, morremos.

Qual a razão de acumularmos essa bagagem se tudo vai ser interrompido? Não seria perda de tempo e investimento? Qual o mecanismo que move o universo?

Embora essas ideias me perturbassem de vez em quando e até me entristecessem pela falta de respostas, achava que apesar delas, poderia manter meu equilíbrio e ser feliz. Com três filhos pequenos, a vida era agitada e o tempo para pensar era pouco. Fui sendo feliz à minha maneira. Havia, porém, um “quase” interferindo vez por outra – uma espécie de pano de fundo. Era “quase” inteiramente feliz.

Dá para entender isso? Sei, é complicado. Tinha excelente saúde, amava meu marido e meus filhos e o resto da família. Era amada por eles, tinha boa situação financeira, minha casa era aconchegante e costumava ser tranquila, não tínhamos grandes desentendimentos. Tudo corria bem, mas algo dentro de mim sinalizava a falta de alguma coisa e eu não tinha a mínima ideia do que seria, nem de onde encontrar. Era uma espécie de vazio e provocava certa melancolia. Mas como preencher esse vazio existencial se não sabia sequer defini-lo, situá-lo?

Tinha alguns objetivos, algumas metas a serem alcançadas, mas elas se restringiam a esta vida intrafísica e isso tornava tudo sem sentido. Na época, eu não tinha o conhecimento para chegar a uma conclusão dessas.

Não era capaz de enxergar o processo de evolução do homem, a sua continuidade, vida após vida, na construção de si mesmo. A infinita responsabilidade para conosco mesmos ao tomar nossas decisões. Hoje, de posse dessas informações consigo ficar mais serena, menos instável.

Para chegar ao meu conceito atual de felicidade foi preciso entender a unidade indissolúvel representada pelo pensamentos, os sentimentos e as energias. Não há possibilidade, por exemplo, de se ter um pensamento sem que associado a ele estejam um sentimento e um fluxo energético. O mesmo serve para outras combinações: não há ação ou mobilização das energias sem ter pensamentos e sentimentos por detrás. E o ponto mas importante é o predomínio do equilíbrio dos três elementos. Em determinados momentos, precisamos estar com a balança pendendo para um lado, mas logo voltar ao centro.

Não podemos somente pensar na parte intelectual, sem buscar a maturidade emocional, nem nos entregarmos aos sentimentos sem valorizar os pensamentos e as energias, tampouco permitir que o corpo físico seja o centro de tudo. A harmonia unindo os três representa um gerador de felicidade.

Quem está equilibrado e feliz, pela lei da afinidade, desfruta boa companhia e um ambiente sereno. É igual a uma bola de neve. Quanto mais pensamentos e sentimentos harmoniosos e positivos, mais você percebe  recebe à sua volta os mesmos padrões de energia.

Você é capaz de perceber claramente que a responsabilidade sobre a sua felicidade advém das suas próprias ideias e dos sentimentos gerados por elas?

A falta de clareza a respeito do significado da felicidade é o problema. Somos puxados pela agitação do mundo moderno e não costumamos parar para pensar a respeito de coisas mais profundas, por exemplo, aquilo que dá sentido a nossa vida.

Você pode argumentar: – Com esse contexto no planeta, posso ser feliz?

Desde muito, se sabe: a felicidade é um estado subjetivo, portanto depende mais da maneira que você encara o meio em que vive do que dos acontecimentos em si. Há pessoas vivendo onde outras chamam de paraíso e, no entanto, não são nada felizes. Já outras, ao contrário, suportam condições bastante difíceis e se consideram satisfeitos, realizado em suas aspirações. O que as diferencia é o entendimento do mecanismo da vida. 

Engraçado, todos sonhamos ter saúde, amor, dinheiro e prazer, mas esses itens, embora muito importantes, não são suficientes para tornar realmente uma pessoa feliz. É preciso mais.

A maioria das pessoas confunde a consequência com a causa da felicidade. As pessoas felizes têm saúde, prazer, amor, dinheiro suficiente para viver porque isso é o efeito do equilíbrio íntimo no qual ela se encontra, e não a causa, a origem da sua felicidade. 

Confunde-se ter com o ser. O dinheiro passa a representar a condição para ser feliz. Ou o amor, ou a saúde. Na verdade a felicidade pertence ao nosso recanto mais íntimo (onde nascem os nossos pensamentos e sentimentos) e de onde vem o equilíbrio capaz de motivar alguém a encontra a sua felicidade. Logo, felicidade é algo, a princípio, autoproporcionado, não depende dos outros. Também não é representada somente pelo que temos, mas pela maneira que reagimos ao fato de ter ou não ter, ser ou não ser. 

Incute-se nas pessoas que a felicidade é algo vindo de fora – se elas tiverem sorte. Ninguém diz: a sorte é você quem faz, inicialmente, dentro da sua cabeça. E pode dar trabalho, mas vale a pena.

Vou fazer uma coisa inusual, a qual nenhum autor experiente faria, é claro, – encerrar o capítulo do modo que iniciei – usando uma frase de Peter Singer:

“Muito poucos, dentre nós seriam capaz de encontrar felicidade ao decidir, deliberadamente, desfrutar da vida sem se preocupar com ninguém ou coisa alguma. Os prazeres que então obteríamos pareceriam vazios, e logo nos fartaríamos deles. Procuramos um sentido para nossa vida que vá além de nossos prazeres e encontramos alegria e satisfação em fazer as coisas consideradas dotadas de sentido”.

(Peter Singer)

Capítulo retirado do livro “Sem Medo da Morte” (Vera Hoffmann)

A morte física é, ainda hoje, motivo de sofrimento, medo e incompreensão para a maioria das pessoas, gerando desconforto ao se tratar esse tema.A partir de esclarecedor e tocante depoimento, Vera Hoffmann demonstra, através de suas experiências multidimensionais, ser a morte biológica mera ilusão.Com bom humor e delicadeza, a autora nos convida a partilhar da caminhada em busca do conhecimento quanto à continuidade da vida.Sem Medo da Morte desmistifica essa temática e evidencia a importância do parapsiquismo-em especial da projeção consciente – instrumento de autopersuasão quanto à verdadeira natureza da consciência, seus veículos de manifestação e da realidade da vida e da morte.

Anúncios

4 Comments

  1. Não há palavras que possam expressar a alegria que sinto em ter encontrado esse blog. Obrigada.

    Responder

    1. Que bom que está te ajudando Leticia!
      É muito bom saber que as ideias que compartilho alcança pessoas que as apreciam.

      Seja bem-vinda, boas reflexões!

      Att.,
      Sr. Evoluciente.

      Responder

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s